Associação Zero pede empenho na redução dos gases de refrigeração nocivos

Associação Zero pede empenho na redução dos gases de refrigeração nocivos

A associação ambientalista Zero pediu hoje ao Governo empenho na redução progressiva dos hidrofluorocarbonetos (HFC), gases usados na refrigeração e que têm um elevado potencial de aquecimento global.

Lusa / Adicionar como fonte informativa
Foto: Rede Social X

Os HFC substituíram os clorofluorcarbonetos (CFC), que tinham a mesma função de refrigerar, mas que foram desaparecendo na sequência do Protocolo de Montreal, para ajudar a proteger a camada do ozono. Os HFC não prejudicam a camada do ozono, mas contribuem para o aquecimento global quando são largados na atmosfera.

A propósito do Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozono, que se assinala na quarta-feira, este ano sob o lema "Ação Global por um Planeta Mais Fresco", a Zero recorda em comunicado o sucesso do Protocolo de Montreal na eliminação das substâncias que destroem a camada de ozono, e lembra a Emenda de Kigali, adotada em 2016, que alargou a ação internacional aos HFC, e que Portugal ratificou rapidamente.

"Portugal esteve entre os primeiros países a ratificá-la, mas a fiscalização e a transição para alternativas naturais continuam aquém do necessário", diz no comunicado.

Marta Pereira, da Zero, explicou à Lusa que há fluidos de refrigeração naturais, que não têm impacto na camada de ozono e têm pouco no aquecimento global e que já são muito usados, como o gás propano nas bombas de calor ou o dióxido de carbono (CO2) na refrigeração comercial.

Os dois são responsáveis também pelo aquecimento global, mas numa percentagem ínfima se comparados com os HFC, no caso de ambos serem libertados para a atmosfera. Marta Pereira exemplificou que uma unidade de R32, um dos HFC com menor impacto na atmosfera, é o equivalente a 670 unidades de CO2. O propano, apontou, é equivalente a três unidades de co2, mas há HFC que são "milhares de vezes superiores" ao co2.

A responsável advertiu também que os consumidores nem sempre estão sensibilizados para as opções naturais, até porque muitas vezes as características do equipamento são explicadas através de um código, que por norma não é facilmente entendido.

A Zero diz que falta uma "estratégia clara" que oriente os apoios públicos exclusivamente para estas tecnologias. E adverte que 10 anos depois da ratificação da Emenda de Kigali, a 17 de julho de 2018, a redução efetiva dos HFC em Portugal continua a depender de um regulamento europeu que, salienta Marta Pereira, aponta para a uma redução progressiva até 2050.

A responsável destaca ainda outro problema, o comércio ilegal de HFC, além de haver ainda pouco cuidado no manuseamento dos equipamentos, deixando escapar para a atmosfera os HFC para retirar outros materiais que podem ser vendidos.

A Zero diz que Portugal tem sido identificado como um destino de HFC contrabandeado da China e lembra operações recentes contra o tráfico de gases fluorados, acrescentando que é preciso reforçar a cooperação entre a Agência para o Clima, as autoridades aduaneiras e a GNR.

Como é preciso, acrescenta, que os apoios públicos privilegiem soluções baseadas em refrigerantes naturais e que seja acelerada a formação e certificação de técnicos para trabalhar com estas alternativas.

A Zero aponta ainda que o buraco do ozono sobre a Antártida continua a ser um dos sinais mais visíveis das consequências da degradação da camada de ozono, com os últimos dados (da NASA, da semana passada) a indicarem que a área do buraco do ozono atingiu já cerca de 20 milhões de quilómetros quadrados, uma dimensão que, apesar de uma recuperação gradual, evidencia "a importância de manter os compromissos internacionais nesta matéria".

O Dia Internacional para a Preservação da Camada de Ozono foi criado pela ONU em 1994 e marca a assinatura do Protocolo de Montreal, em 1987.

 

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